Gajas

Vencedores da Libertadores (por Títulos e Vices)



13. Clube de Regatas do Flamengo (Brasil) - 2 títulos / 0 vices *


Campeão: 1981, 2019

Ídolos: Zico, Jorge Jesus (Mister), Andrade, Leandro, Gabriel Barbosa (Gabigol)
Mística: *****

* O leitor atento perceberia - ainda que eu não o dissesse - que esta lista se compõe de catorze elementos, ao invés dos providenciais treze. Uma vez que ao décimo segundo lugar da classificação corresponde, como terá oportunidade de verificar, um empate, o ranking aqui apresentado não deveria, em rigor, abranger mais nenhum clube. Três motivos contribuíram para este estado de coisas excecional, aos quais acrescentarei um quarto. 1º - Apesar do número de vices constituir um fator de valoração para desempate, não seria razoável prejudicar o CR Flamengo por se apresentar vitorioso em todas as finais que disputou, especialmente considerando não existirem em todo o continente Sul Americano quaisquer outros clubes com duas Libertadores, para além daqueles aqui mencionados. 2º - Apesar da lógica assim o ditar, não seria harmonioso, de um ponto de vista puramente estilístico, terminar uma lista no décimo segundo posto (ou no décimo quarto, atentando na irregularidade), justamente num blog intitulado Dreizhen. 3º - É meu desejo prestar uma justíssima homenagem ao CR Flamengo pelo espantoso título da Libertadores conquistado ontem, juntando assim este modesto tributo ao coro de milhões que - por estas alturas e para todo o sempre - admiram a grande figura do Mister. Por último, apesar da admirável coerência e regularidade que são apanágio desta publicação de referência, gostaria de lembrar ao leitor, à boa maneira britânica, que aqui em casa mando eu - pelo que posso muito bem fazer o que me der na real gana.


12. Sport Club Internacional (Brasil) - 2 títulos / 1 vice


Campeão: 2006, 2010
Vice: 1980

Ídolos: Elías Figueroa, Roberto Falcão, Escurinho, Taffarel, Abel Braga (treinador)
Mística: ***


12. Atlético Nacional S.A. (Colômbia) - 2 títulos / 1 vice


Campeão: 1989, 2016
Vice: 1995

Ídolos: Faustino Asprilla, René Higuita, Andrés Escobar, Iván Córdoba, Humberto Álvarez
Mística: **


11. Cruzeiro Esporte Clube (Brasil) - 2 títulos / 2 vices


Campeão: 1976, 1997
Vice: 1977, 2009

Ídolos: Jairzinho, Tostão, Ronaldo, Dirceu Lopes, Joãozinho
Mística: ****


10. Santos Futebol Clube (Brasil) - 3 títulos / 1 vice


Campeão: 1962, 1963, 2011
Vice: 2003

Ídolos: Pelé, Coutinho, Carlos Alberto, Robinho, Neymar
Mística: *****


9. Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (Brasil) - 3 títulos / 2 vices


Campeão: 1983, 1995, 2017
Vice: 1984, 2007

Ídolos: Ronaldinho Gaúcho, Renato Portaluppi (Gaúcho), Luiz Felipe Scolari (treinador), Mário Jardel, Paulo Nunes
Mística: ***


7. São Paulo Futebol Clube (Brasil) - 3 títulos / 3 vices


Campeão: 1992, 1993, 2005
Vice: 1974, 1994, 2006

Ídolos: Arthur Friedenreich, Leônidas da Silva (Pérola Negra), Raí, Rogério Ceni, Telê Santana (treinador)
Mística: ****


7. Club Nacional de Football (Uruguai) - 3 títulos / 3 vices


Campeão: 1971, 1980, 1988
Vice: 1964, 1967, 1969
Mística: ***

Ídolos: José Leandro Andrade, Héctor Scarone, Schubert Gambetta, Emilio Álvarez, Atílio García


6. Club Olimpia (Paraguai) - 3 títulos / 4 vices


Campeão: 1979, 1990, 2002
Vice: 1960, 1989, 2001, 2013

Ídolos: Raul Amarilla, Sergio Orteman, Carlos Gamarra, Roque Santa Cruz, Pablo Zeballos
Mística: *


5. Estudiantes de La Plata (Argentina) - 4 títulos / 1 vice


Campeão: 1968, 1969, 1970, 2009
Vice: 1971

Ídolos: Juan Ramon Verón, Manuel Pelegrina, Ricardo Infante, Alberto Zozaya, Juan Sebastián Verón
Mística: **


4. Club Atlético River Plate (Argentina) - 4 títulos / 3 vices


Campeão: 1986, 1996, 2015, 2018
Vice: 1966, 1976, 2019

Ídolos: José Manuel Moreno, Di Stéfano, Omar Sívori, Daniel Passarella, Enzo Francescoli
Mística: *****


3. Club Atlético Peñarol (Uruguai) - 5 títulos / 5 vices


Campeão: 1960, 1961, 1966, 1982, 1987
Vice: 1962, 1965, 1970, 1983, 2011

Ídolos: Juan Schiaffino, Obdulio Varela, Alberto Spencer, Alcides Ghiggia, Fernando Morena
Mística: ****


2. Clube Atlético Boca Juniors (Argentina) - 6 títulos / 5 vices


Campeão: 1977, 1978, 2000, 2001, 2003, 2007
Vice: 1963, 1979, 2004, 2012, 2018

Ídolos: Maradona, Riquelme, Batistuta, Carlos Tevez, Martín Palermo
Mística: ****


1. Club Atlético Independiente (Argentina) - 7 títulos / 0 vices


Campeão: 1964, 1965, 1972, 1973, 1974, 1975, 1984

Ídolos: Arsenio Erico, Raimundo Orsi, Ricardo Bochini, Jorge Burrochaga, Antonio Sastre
Mística: ***


Clubes Brasileiros (por Ponderação de Títulos)



Classificamos hoje os times brasileiros, recorrendo para tanto a um sofisticado método de ponderação estatística - elaborado pela minha pessoa - incidindo sobre os principais títulos conquistados (digo principais por exclusão dos campeonatos estaduais, uma inconsequente excentricidade brasileira). Uma palavra acerca dos critérios utilizados: foram estes pensados de acordo com a escala de valor e prestígio próprios da realidade futebolística brasileira, que atribui um peso superlativo à conquista do Mundial de Clubes da FIFA (anteriormente, Taça Intercontinental). Ao contrário do que acontece na Europa, onde o troféu continental (Champions League ou Taça dos Clubes Campeões Europeus) equivale ao Evereste de uma época desportiva, valorizam sobremaneira os brasileiros o tête-à-tête com os times europeus - em mais uma clara manifestação desse complexo de inferioridade em relação à Europa, tão espetacularmente desmascarado com a chegada de Jorge Jesus ao Brasil. Por falar no Mister, e desvendando um pouco o véu à classificação, acrescento que foi com inexprimível júbilo que recentemente atualizei esta lista - testemunhando como Flamengo deu um imortal sacode na classificação, deixando atrás de si a repelente instituição do Sport Club Corinthians Paulista, com a sonhada conquista da Libertadores e do Brasileirão. Nada que as frequentes expressões de fanfarronice presciente tão características do meu génio visionário não antecipassem facilmente - a minha inabalável confiança nas capacidades do Mestre da Tática não poderia inspirar outra expectativa senão a dos triunfos mais fantásticos e retumbantes. Acrescento também, por curiosidade e entre parênteses, a cidade e o Estado de cada time, exceto nos casos do Rio de Janeiro e de São Paulo, em que a capital é homónima. Por último, e tendo presente o imenso fascínio e tradição desse continente dentro de um continente que é o Brasil, mais a gloriosa história do seu futebol, dei-me ao luxo de apresentar a correspondência possível entre os seus times e as equipas europeias clássicas, atendendo a critérios de triunfo interno e externo, bem como a algumas peculiaridades geográficas e culturais de cada clube que, a meu ver, justificam a comparação. E, sem mais demoras, exponho os critérios de avaliação, seguidos pela lista definitiva - até à data presente - com tudo o que há para saber acerca do futebol maravilhoso do país maravilhoso.


I. Campeonato do Mundo de Clubes da FIFA e Taça Intercontinental - 10 pontos

I. Copa Libertadores da América (Champions League sul-americana) e Campeonato Sul-Americano de Campeões (o equivalente à antiga Taça dos Clubes Campeões Europeus) - 9 pontos

III. Campeonato Brasileiro Série A - 8 pontos

IV. Copa Sul-Americana (Europa League), Copa Mercosul e Copa COMENBOL (equivalentes à antiga Taça UEFA) - 7 pontos

V. Copa do Brasil de Futebol (Taça nacional do Brasil) - 5 pontos

VI. Recopa Sul-Americana (Supertaça Europeia) - 3 pontos

VI. Supercopa do Brasil de Futebol (Supertaça) - 1 ponto



13. Club Athletico Paranaense (Curitiba, Paraná) - 20 pontos
"PSG"


Campeonato Brasileiro: 2001 (8 pontos) 
Copa Sul-Americana: 2018 (7 pontos) 
Copa Brasil: 2019 (5 pontos)

Ranking do Hino: 8º (***)


12. Botafogo FR (Rio de Janeiro) - 23 pontos
"Inter de Milão"

  
Campeonato Brasileiro: 1968, 1995 (16 pontos)
Copa COMENBOL: 1993 (7 pontos)

Ranking do Hino: 7º (****)


11. Fluminense FC (Rio de Janeiro) - 37 pontos
"Atlético de Madrid"


Campeonato Brasileiro: 1970, 1984, 2010, 2012 (32 pontos)
Copa do Brasil: 2007 (5 pontos)

Ranking do Hino: 3º (*****)


10. Clube Atlético Mineiro (Belo Horizonte, Minas Gerais) - 39 pontos
"Chelsea"
  

Copa Libertadores: 2013 (9 pontos)
Campeonato Brasileiro: 1971 (8 pontos)
Copa CONMEBOL: 1992, 1997 (14 pontos)
Copa do Brasil: 2014 (5 pontos)
Recopa Sul-Americana: 2014 (3 pontos)

Ranking do Hino: 9º (***)


9. CR Vasco da Gama (Rio de Janeiro) - 62 pontos
"Ajax"


Campeonato Sul-Americano dos Campeões: 1948 (9 pontos)
Copa Libertadores: 1998 (9 pontos)
Campeonato Brasileiro: 1974, 1989, 1997, 2000 (32 pontos)
Copa Mercosul: 2000 (7 pontos)
Copa do Brasil: 2011 (5 pontos)

Ranking do Hino: 5º (****)


8. SC Internacional (Porto Alegre, Rio Grande do Sul) - 70 pontos
"Manchester United"


Mundial de Clubes: 2006 (10 pontos) 
Copa Libertadores: 2006, 2010 (18 pontos) 
Campeonato Brasileiro: 1975, 1976, 1979 (24 pontos)
Copa Sul-Americana: 2008 (7 pontos)
Copa do Brasil: 1992 (5 pontos)
Recopa Sul-Americana: 2007, 2011 (6 pontos

Ranking do Hino: 11º (**)


7. Cruzeiro EC (Belo Horizonte, Minas Gerais) - 83 pontos
"Bayern de Munique"


Copa Libertadores: 1976, 1997 (18 pontos)
Campeonato Brasileiro: 1966, 2003, 2013, 2014 (32 pontos)
Copa do Brasil: 1993, 1996, 2000, 2003, 2017, 2018 (30 pontos)
Recopa Sul-Americana: 1998 (3 pontos)

Ranking do Hino: 6º (****)


6. Grémio FBPA (Porto Alegre, Rio Grande do Sul) - 85 pontos
"Liverpool"

  
Taça Intercontinental: 1983 (10 pontos) 
Copa Libertadores: 1983, 1995, 2017 (27 pontos) 
Campeonato Brasileiro: 1981, 1996 (16 pontos)
Copa Brasil:  1989, 1994, 1997, 2001, 2016 (25 pontos)
Recopa Sul-Americana: 1996, 2018 (6 pontos)
Supercopa do Brasil: 1990 (1 ponto)

Ranking do Hino: 13º (*)


5. SC Corinthians Paulista (São Paulo) -  94 pontos
"Barcelona"


Mundial de Clubes: 2000, 2012 (10 pontos)*
Copa Libertadores: 2012 (9 pontos)
Campeonato Brasileiro: 1990, 1998, 1999, 2005, 2011, 2015, 2017 (56 pontos)
Copa do Brasil: 1995, 2002, 2009 (15 pontos)
Recopa Sul-Americana: 2013 (3 pontos)
Supercopa do Brasil: 1991 (1 ponto)

Ranking do Hino: 1º (*****)


* O Dreizhen optou por não contabilizar a conquista de 2012, uma vez que ao Corinthians não assistia o direito desportivo e moral de participação no Mundial de Clubes desse ano, pelo motivo simples de não ter conquistado a Libertadores. Numa jogada de secretaria típica desse time reconhecidamente corrupto (e que conta entre os seus adeptos Lula da Silva, bem como a totalidade do aparelho do PT), sagrou-se o antodenominado Timão vencedor da competição na final contra o Vasco da Gama, que também não era então o campeão continental em título, naquela que constituiu a edição mais absurda (e nunca mais replicada) do torneio. Pelos motivos aduzidos, decidimos ainda não fazer migrar o título para o Vasco, igualmente imerecedor da distinção.


4. CR Flamengo (Rio de Janeiro) - 98 pontos
"Benfica (do Eusébio…)"


Taça Intercontinental: 1981 (10 pontos)
Mundial de Clubes: 2019?
Copa Libertadores: 1981, 2019 (18 pontos)
Campeonato Brasileiro: 1980, 1982, 1983, 1992, 2009, 2019 (48 pontos)*
Copa Mercosul: 1999 (7 pontos)
Copa Brasil: 1990, 2006, 2013 (15 pontos)

Ranking do Hino: 4º (****)


* Em mais uma burlesca saga de carnaval burocrático, decidiu a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), juntamente com a FIFA, não atribuir ao Flamengo o disputado título de campeão nacional de 1987, cujo vencedor parece ter sido efetivamente o Sport Club do Recife. Este facto explica a estranheza da repetida designação heptacampeão, propalada pelos media, relativamente a um clube que, na verdade, conta apenas com seis títulos nacionais. Ao contrário de outros times, com atávica propensão para a marginalidade e malfeitoria, não está a grandeza do Flamengo refém de semelhantes golpes de bastidores - pelo que, em nome da verdade desportiva, decidiu o Dreizhen colocar-se do lado da legalidade, ainda que em prejuízo da superior razão do coração, e seguindo o inultrapassável exemplo de Cristo, "dar a César o que é de César", não contabilizando portanto o campeonato de 1987 entre as conquistas do maior time do Brasil.


3. SE Palmeiras (São Paulo) - 116 pontos
"Juventus" 


Copa Libertadores: 1999 (9 pontos)
Campeonato Brasileiro: 1960, 1967, 1967*, 1969, 1972, 1973, 1993, 1994, 2016, 2018 (80 pontos)
Copa Mercosul: 1988 (7 pontos)
Copa do Brasil:  1967, 1982, 2012, 2015 (20 pontos)

Ranking do Hino: 10º (**)


*Sim, o leitor leu bem - o Palmeiras é oficialmente reconhecido como duplamente campeão em 1967. Como explicar semelhante aberração? O caos administrativo tão típico e caricatural da mentalidade sul americana, essa permanente disposição para mudar por decreto toda a história e tradição dos povos - eis a resposta a esta questão. Explicando: a omnipresente pulsão de bolivarismo revolucionário mental terceiro-mundista, no afã socialista das "abelhinhas ocupadas" em reorganizar, refundar e reestruturar tudo a partir da estaca zero, ditou que as (in)competentes autoridades brasileiras organizassem dois campeonatos nacionais oficiais no mesmo ano (!), sagrando-se o Palmeiras vencedor de ambas as competições.


2. São Paulo FC (São Paulo) - 125 pontos
"AC Milão"


Taça Intercontinental: 1992, 1993 (20 pontos)
Mundial de Clubes: 2005 (10 pontos)
Copa Libertadores: 1992, 1993, 2005 (27 pontos)
Campeonato Brasileiro: 1977, 1986, 1991, 2006, 2007, 2008 (48 pontos)
Copa CONMEBOL: 1994 (7 pontos)
Copa Sul-Americana: 2012 (7 pontos)
Recopa Sul-Americana: 1993, 1994 (6 pontos)

Ranking do Hino: 12º (*)


1. Santos FC (São Paulo) - 126 pontos
"Real Madrid"


Taça Intercontinental: 1962, 1963 (20 pontos)
Copa Libertadores: 1962, 1963, 2011  (27 pontos)
Campeonato Brasileiro: 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968, 2002, 2004 (64 pontos)
Copa CONMEBOL: 1998 (7 pontos)
Copa do Brasil: 2010 (5 pontos)
Recopa Sul-Americana: 2012 (3 pontos)

Ranking do Hino: 2º (*****)


Piores Jogadores do Benfica Que Eu Vi Jogar (Com Uma Exceção)

Ah, o Benfica - a alegria do povo! A prenda que continua a dar, como dizem os ingleses. Relativamente a essa instituição, desejo confessar-me: sou um sujo, um sabujo, ressentido empedernido. Sou o marido cornudo, o namorado traído, o macho ferido que não perdoa nem esquece. Não, eu não sou um benfiquista: sou um anarquista e um terrorista. Para o leitor perceber isto, basta que saiba que nasci para o futebol - e para o Benfica - exatamente a 13 de maio de 1994 - dia da minha festa de 10º aniversário e data do vexame, glorioso, de 3-6 em Alvalade. E assim se criou mais um palerma, consumidor de camisolas e comprador de bilhetes. O mundo tinha ainda Maradona, Baggio, Romário ou Laudrup; mas nós tínhamos João Pinto, Rui Costa, Schwarz, Isaías e Paulo Sousa - e isso nos bastava. E eis que, no ano seguinte, subitamente, um cometa desce sobre o Planeta Benfica, e toda a vida inteligente se extingue: Artur Jorge entra em cena (e mais tarde, Vale e Azevedo). Foram precisos três séculos para Roma cair, mas bastaram dez anos formidáveis e atrozes para arrasar essa instituição mundialmente consagrada e arrastar a sua grandeza pela lama. Nessa década negra, que se prolongou por quinze anos, o emblema de Eusébio, Coluna, José Águas e Simões; o clube bicampeão europeu e dominante durante toda uma década é humilhado, zurzido, vergastado, ultrapassado e enlameado uma e outra vez (ideia brilhante para um post futuro - as maiores humilhações do Benfica): o Porto arrasa tudo à sua volta - é pentacampeão, decacampeão a intervalos, campeão europeu, vencedor de Taças UEFA e Ligas Europas…; também o Boavista conquista um campeonato e - pasme-se - até o Sporting, o Sporting (!) ganhou dois campeonatos. A elaboração desta lista dos maiores entre os incontáveis fiascos encarnados durante esse período foi, por esse motivo, uma tarefa surpreendentemente árdua (mesmo para um indivíduo tão desencantado como eu): não por escassez de matéria-prima, mas, pelo contrário, pela abundância da oferta. Estou certo que o leitor compreenderá o expediente a que recorri de contornar as regras e transbordar o copo - a opulência do festim é simplesmente arrebatadora e a verdade desportiva não merecia menos.


13. Zivkovik & Svilar

Este indivíduo - Zivkovik - é um prodígio. Pelo menos assim mo dizem. Continuará, sem dúvida, a sê-lo até à cova, mas enquanto tal revelação não se manifesta, convém lembrar que Zivkovik não produziu nada, absolutamente nada no Benfica - dribles, golos, jogadas vistosas ou momentos decisivos. Portanto, das duas uma: ou continuaremos todos eternamente à espera de Zivkovik como de Godot, ou está na altura de dizer que o rei vai nu. Já Svilar - jovem simpático, mas algo imbecil -, poderá ainda um dia, quem sabe, tornar-se guarda-redes. Com uma carreira nas primícias, não é minha intenção aqui puni-lo antes que tal factualidade se manifeste. Mas - a julgar pelo que foi e é, e não pelo que pode ser -, por enquanto, do atoleimado jovem pouco mais se conhece que um inspirado frangueiro, intranquilo e incapaz de transmitir a mínima segurança, precisamente na posição em que essa palavra é chave. Também não jogam a seu favor as evidentes manobras empresariais de bastidores que ditaram as titularidades na Champions. É sabido que o mundo do futebol constitui uma das maiores máfias da modernidade. Mas esse não é um problema dos benfiquistas - e ainda menos de quem escreve estas linhas. 


12. Nuno Gomes & Mantorras

 

Imagino já a indignação reprovadora dos fanáticos - então o Mantorras? O Nuno Gomes? Dois dos maiores ídolos do clube nestas duas últimas décadas, estão aqui não pelo que não jogaram - embora não jogassem muito - mas pela diferença entre aquilo que jogaram e o valor percebido do seu mito. Como os membros de uma seita anichados em torno de uma fogueira projetando sombras nas cavernas, é apanágio da massa benfiquista apoiar-se em ilusões percetivas para agigantar medíocres. Mantorras é essa nostalgia de Eusébio - mesmo que, com uma década de clube, não tenha produzido mais que duas mãos-cheias de golos, ao espantoso rácio de aproximadamente um tento por época. O "deixem jogar o Mantorras" equivale a essa farsa justificativa do amigo frouxo perante uma afronta em público, escondido nas costas dos camaradas a bradar: "alguém me agarre que eu vou-me a ele!". Já o tributo a Nuno Gomes - na minha visão pessoalíssima da coisa - acontece por um equívoco recalcado: trata-se de um segundo advento de João Pinto, virtuoso e estrela dos anos 90 convenientemente ignorado da memória coletiva após a deserção para o rival de Lisboa. Marcaram ambos - Mantorras e Nuno Gomes - golos decisivos e proporcionaram aos adeptos alguns - poucos - momentos antológicos? Sem dúvida. Mas comparemos o Benfica com emblemas de grandeza e meios equivalentes durante o mesmo período - um Ajax, Flamengo, Celtic de Glasgow ou mesmo o Inter de Milão. Seriam estas duas figuras referências nos clubes em questão? O leitor decida.


11. Caniggia, Hassan & João Tomás


Outra cartada de avançados, porém esquecidos. Caniggia, em particular - "o filho do vento", jogador fetiche de Maradona e o avançado mais rápido da década de noventa (era então, em estatuto e habilidade, o equivalente a Tierry Henry na década posterior) - sagrou-se num fiasco mundial, à sua dimensão. João Tomás viria a tornar-se um jogador competente - no Rio Ave! Hassan, esse, não passava de um cepo.


10. Akwá, Paulão & Freddy Adu

Parece que o novo Pelé não pegou de estaca. E não apenas no Benfica - mas em lago algum. As forças aqui em movimento não são muito diferentes daquelas que levam a que se veja num golo potente do Mantorras a segunda encarnação de Eusébio. O Benfica é uma fábrica de mitos com o seu D. Sebastião particular e memórias de grandezas passadas que, não raras vezes, particularmente nos últimos vinte anos, violentamente contrastam com um status quo presente tantas vezes miserável e deprimente. Freddy Adu foi apenas outra dessas lebres trocadas por gato, em que a vontade de glória superou a lógica dos factos. Verdade seja dita, nunca o homem caiu no goto dos adeptos e, ao contrário de Mantorras, que ainda ia marcando os golitos, podia jurar que nunca sequer tocou na bola. Quanto a Akwá e Paulão, dois nomes da minha infância - não sei se jogaram muito, se pouco, mas o mais provável é não terem jogado nada. Aqui ficam convenientemente irmanados como companheiros de sangue e desportistas sem história. Que todos os males do Benfica fossem estes!




9. Dimas, Paulo Bento & Paulo Alves



Esse atleta ereto e esbelto que podem ver é o Dimas em ação - como imediatamente se percebe, a personificação de um craque. É verdade que jogou com Zidane na Juventus (e daí - o Secretário também não jogou no Real Madrid?), mas antes disso tropeçou-se pelo Benfica. Chegou acompanhado por uma espécie de sargento, disciplinado e correto, sem sombra de talento ou imaginação, que mais tarde comandaria a seleção, tendo então proclamado, do alto da sua superior inteligência, preferir Moutinho a Cristiano Ronaldo. Lembro-me de vê-lo vagamente a gatinhar na meia-final do Europeu de 2000 contra a França, enquanto tentava, com a sua mentalidade militar, anular um génio chamado Zidane no meio-campo (o equivalente a apagar um fogo com bisnagas). Conta-se que um dos mais célebres pianistas de Viena virou padeiro depois de desafiar um jovem Beethoven para um duelo ao piano. Paulo Bento não fez tanto, limitando-se a rebolar pelo relvado, meio alucinado, tipo um hippie numa trip. Paulo Alves foi outro marreco que, por estas alturas (1996?, 1997?), inexplicavelmente caiu do céu, e de modo igualmente enigmático (talvez nem tanto) se evaporou (consta que teve uma carreira de relativo sucesso em Alvalade).


8. Fernando Mendes, Armando, Marinho & "Paredão" (Emerson Augusto Thomé)

Em tempos jogou no Benfica um indivíduo chamado Paredão (na verdade, Emerson Thomé). Também andou por lá um outro, anos depois, de nome Armando, arrastando-se pelo lado esquerdo, frequentemente sem bola, na posição de lateral. Recordo ainda uma figura triste de cabelos encaracolados e loiros, com estilo de surfista deprimido (desconsolado até para correr) - era o Marinho, e acerca dele é isto tudo quanto sei. Por algum motivo meti na cabeça que todos eles partilhavam posição, e por isso evoco Fernando Mendes - esse orador sublime, glória nacional da comunicação e personificação do cavalheiro - que foi, de todos, o mais impressivo. Ao contrário de Marinho, até corria; mas como Armando, geralmente sem bola. Numa altura em que virou moda avaliar precisamente as qualidades técnicas dos jogadores nessa circunstância - por exemplo, parece que o Nuno Gomes foi um jogador superior sem bola - é possível que Fernando Mendes fosse um génio, mas provavelmente do atletismo. A fotografia é de um tal de Luiz Gustavo (?), que por acaso topei na internet.


7. Toni, Bruno Caires & Bruno Bastos


É possível que Bruno Caires não fosse assim tão mau - pelo menos tão mau quanto Bruno Bastos. E é também possível que a imagem cavernícola que projeta prejudique a sua avaliação retrospetiva. Mistérios de uma memória poluída pela opacidade de uma era - os anos 90, particularmente após 1994 - em que o Benfica se assemelhava mais a uma instituição municipal ou social - por exemplo, de limpeza dos esgotos - do que a um dos emblemas mais prestigiados do mundo. O Toni é a exceção - nunca vi o homem jogar. Mas atente-se naquela cara profunda de pensador visonário (e provavelmente míope) - alguém acredita nas virtualidades futebolística deste mestre-filósofo da técnico-tática? Esse alguém que me corrija.


6. Machairidis, Bergessio, Pesaresi, Gary Charles, Michael Thomas & Martin Pringle

Quando o poço já estava no fundo, quando parecia impossível descer mais baixo - eis que entra em cena João Vale e Azevedo, o Bruno de Carvalho do Benfica. E com ele, esta revolução: em vez de aspirar os piores jogadores a nível nacional, tornou-se o emblema da águia uma máquina devoradora de proveniente de todo o mundo - particularmente britânico. Mas a herança das ilhas dilui-se num cocktail multicultural tão potente quanto aniquilador da memória, e nomes como os de Machairidis, Pesarersi, Gary Charles ou Martin Pringle - todos eles se diluem nessa peçonha venenosa com que se brindou a passagem de século. Foi o gosto desta cicuta - a última gota numa sucessão imbatível de mixórdias - que definitivamente enterrou o meu benfiquismo nas estepes do sarcasmo e do olvido.



5. Neno, Bossio & Roberto




Sempre pensei que estas duas pessoas fossem a mesma. Mas não - a figura de cima é o Bossio, e em baixo está o Roberto. O leitor decida qual prefere. Quanto ao Neno - é verdade que ainda se atirava à bola, ainda que depois de esta ter entrado. Talvez não fosse tão superlativamente incapaz quanto estes dois sujeitos, mas, enquanto espalhafatoso burlão das balizas - irresistivelmente desmascarado por Preud'homme quando o belga entrou em cena - merece bem a posição que ocupa nesta lista.


4. Nelo, Tavares & Amaral


Nelo, Tavares e Amaral - palavras para quê? A equipa dos sonhos de qualquer criança (não faço ideia de quem seja o Clóvis).


3. Fernando Aguiar & Beto

De Fernando Aguiar disse Simão Sabrosa ter sido o pior jogador com quem alguma vez jogou. Esteve no Benfica algures durante a primeira metade dos anos 2000, já com Luís Filipe Vieira ao comando, e a sua presença coincide com o perído em que o clube começava, lentamente, a levantar a cabeça, numa recuperação espiritual praticamente vazia de conquistas - que constratações como esta ajudam a explicar. A imagem até é simpática - dá a ideia de um driblador possante e carismático, carregando a equipa às costas pela sua força de meios e de vontade. Nada mais errado - costuma evocar-se a imagem de um tronco para referir indivíduos assim, mas eu penso que a palavra trator, nas suas ressonâncias linguísticas de limitação de mobilidade e força bruta, exprime melhor a ideia. Ou então lesma - uma lesma gigantesca, desprovida de técnica, velocidade ou inteligência. Porque é isso mesmo que ele foi.

E Beto? Beto foi um mal-amado, talvez como nenhum outro, o jogador mais malquisto pela bancada de que me consigo lembrar. Foi assim tão horrível? Sem dúvida. Mas apesar da sua inépcia manifesta, por qualquer motivo - talvez para contrariar a turba - conquistou sempre um módico da minha simpatia (um módico muito milimétrico: convém nunca esquecer a sua absurda falta de talento). Talvez por isso, na imagem, aqui fica um momento raro: o golo que marcou contra o United, que valeu uma vitória em casa na fase de grupos da Champions. Pode parecer estranho, mas basta pensarmos no Éder para percebermos que o futebol tem destas coisas. 

 


2. Bermudez & Paulo Madeira


Bermudez - essa figura inesquecível! Na memória coletiva, um golo genial, de pontapé de biblicleta contra o Porto, em jogo da decisão do título - não fora na própria baliza, e seria candidato ao Prémio Puskás. Quanto a Paulo Madeira - de cognome Espanador - estará por estas alturas referido em qualquer entrada do Guiness como o pior central da história do futebol mundial. Olho para esta dupla, separada por um par de anos, mas aqui tão perfeitamente emparelhada, e tremo pelo que poderia ter sido - imaginem o terror dos avançados perante a visão de dois tão consagrados virtuosos.


1. "Tote" (Jorge Lopéz Marco)


A façanha de"Totte", destacando-se isoladamente como o pior entre tantos canastrões, qualquer que seja o ângulo por que se observe, é digna da mais espantosa admiração de todo o mundo. Pior que Paulo Madeira, Bruno Aguiar, Martin Pringle ou Tavares. Abaixo de Bermudez, Paulo Bento, Freddy Adu ou Mantorras. Decididamente, o mais extravagante calhau que alguma vez calçou a chuteira vermelha - ou qualquer outra. Como descrever os talentos de Jorge Lopéz Marco entre as quatro linhas? Destrambelhado, desengonçado, desastrado, fora de tempo, cego, vesgo, tapado, frouxo - enfim, meras palavras não fazem justiça ao desatino do homem com o seu corpo e com a bola. Até pelas semelhanças físicas, é possível compará-lo a um Orlando Bloom do futebol - mas pior: um garoto sem carisma ou inspiração, elevado por qualquer milagre aos grandes palcos, para vergonha da espécie humana em geral e do homo benfiquistus em particular.